Não transforme seus desafetos políticos em monstros morais!

Não transforme seus desafetos políticos em monstros morais!

Não transforme seus desafetos políticos em monstros morais!


Uma das posturas que mais contribui para dificultar o diálogo frutífero é a tendência de transformar quem não concorda conosco em monstros imorais e sem sensibilidade. Seremos tentados todos os dias a reduzir as ideias e posições políticas dos nossos interlocutores só porque eles não conseguem ver como nós vemos ou não foram convencidos pelo que nos convenceu.

Que as ideologias políticas — qualquer uma delas, sem distinção — são sempre reducionistas e incompletas, já falamos exaustivamente aqui. Entretanto, isso não significa que elas não têm nada de proveitoso para nos ensinar. E isso não vale apenas para conversas entre cristãos. Vale também para o mais rebelde dos incrédulos. E são justamente os cristãos que conseguem ver isso. É aqui que mora o segredo para o diálogo político.

O grande problema com todas as ideologias é que elas erram ao transformar um pedaço bom da criação em um deus. Isso é o que chamamos de idolatria política. No entanto, esse pedaço da realidade permanece bom, assim como Deus o criou. Nesse sentido, não é um absurdo dizer que até mesmo os ideólogos mais rebeldes ao evangelho descobriram fragmentos da verdade que talvez nem mesmo os cristãos tenham enxergado.

Junto aos excessos do feminismo, existe muita verdade sobre a condição das mulheres. No meio dos abusos dos conservadores existe muita verdade sobre a tradição. Dentro do radicalismo liberal mais individualista existe muita verdade sobre a iniciativa privada.

É por isso que não podemos transformar aquele interlocutor — que geralmente é nosso colega de trabalho, familiar ou membro da igreja — em um completo monstro insensível, só porque ele tem uma ênfase ideológica distinta da nossa.

Foi isso que assustou Hannah Arendt no julgamento do general Eichment em Jerusalém. Até aquela época não tínhamos conceitos para explicar o fato de muita gente de bem, na Alemanha, ter sucumbido às atrações do nacional-socialismo nas décadas de 30 e 40.

A genuína maturidade cristã está em discernir o lado bom de cada ideologia antes de podermos mostrar os seus limites e pecados.

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Fonte: Irmãos.com